Santa Catarina está próximo a 1 milhão de hectares de florestas plantadas.

De acordo com levantamento, 67% da área tem plantios de pinus e 33% de eucalipto.

 

Por Giovana Massetto

As condições de clima e solo, além de um extenso trabalho de melhoramento genético, posicionaram os estados da região Sul do Brasil como os principais produtores de madeira de pinus do mundo. A matéria-prima produzida tem alta qualidade e atende a uma diversificada linha de produtos: celulose e papel, embalagens, madeira serrada para móveis e diversos outros segmentos.

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), dos 7,83 milhões de hectares de florestas plantadas, 1,6 milhão são representados pelos plantios de pinus. Eles estão concentrados no Paraná (42%), Santa Catarina (34%), Rio Grande do Sul (12%) e São Paulo (8%).

Para atualizar os dados do estado de Santa Catarina, a Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR) acaba de divulgar os resultados de um estudo desenvolvido em 2019 pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc-CAV), contratado pela entidade, que identificou que o estado tem 828,9 mil hectares de área com florestas plantadas. Dessa totalidade, 67% (553,6 mil hectares) com pinus e 33% (275,3 mil hectares) com eucalipto.

De acordo com a ACR, historicamente, o estado também responde por importante fatia dos postos de trabalho, sendo responsável por 15% do número de empregos formais dentro do setor de base florestal. “Em 2017, o Brasil registrou 598 mil empregos diretos neste setor, com perspectiva de manutenção em 2018, o que representou aproximadamente 600 mil. Santa Catarina, que em 2017 consolidou 90 mil empregos, teve acréscimo de 200 novos postos”, detalhou Mauro Murara Jr., engenheiro florestal e diretor executivo da associação.

Outro reflexo da importância do setor frente ao panorama nacional está na arrecadação de tributos, que é diretamente proporcional ao desempenho do setor florestal no Valor Bruto da Produção da Silvicultura (VBPS). “A produção de madeira em toras, por exemplo, arrecadou R$ 137,6 milhões em tributos em 2018”, completou Murara Jr.

Segundo o levantamento, em 2018, o estado contabilizou 2.568 empresas de móveis, representando 46% do total, 1.028 serrarias com desdobramento de toras, ou seja, 18% do total de empresas no estado. Na sequência, observam-se fábricas de esquadrias de madeira e de peças para instalações industriais/comerciais com cerca de 500 empresas, representando 9% do total. As demais somam 1.486 estabelecimentos e representam 27% do total presente no estado.

Produtividade

O pinus tem desenvolvimento acima da média nacional em Santa Catarina, devido às condições climáticas e ao solo da região. “Segundo relatório da Ibá, a produtividade florestal média (IMA) no Brasil é de 30,5 m³/ha/ano (metros cúbicos por hectare por ano) para o pinus. Em nosso estado, empresas de maior porte e com alto nível tecnológico, atingem médias maiores, dependendo da localização dos seus plantios e investimento empreendido. A média está entre 34-37 m³/ha/ano”, destacou Mauro.

Em 2018, de acordo com a pesquisa da Udesc-CAV, a produção de madeira serrada de pinus no Brasil atingiu 7,84 milhões de m³, enquanto o consumo aparente foi de 5,3 milhões de m³. A evolução histórica da produção de madeira serrada de pinus no Brasil se manteve praticamente constante entre 2009-2013, com a taxa de crescimento anual na produção de 0,9%.

Desenvolvimento de material genético

Para fomentar a pesquisa com as árvores e madeira do pinus foi criado o Fundo Cooperativo para Melhoramento de Pinus (Funpinus). Ele dá suporte administrativo e financeiro ao Projeto Cooperativo de Melhoramento de Pinus (PMCP), uma iniciativa da ACR, Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Embrapa Florestas e empresas florestais. O seu objetivo é concentrar esforços para viabilizar materiais genéticos melhorados de pinus, incluindo híbridos de alto desempenho, para atendimento a demandas crescentes de produtos de madeira e resina. “O Projeto tem como principal instrumento operacional a parceria com a Embrapa Florestas. A formalização dessa parceria possibilita a atuação da instituição em benefício dos associados, por meio do envolvimento de especialistas em melhoramento genético e em áreas correlatas como propagação vegetativa (enxertia, cultura de tecidos e embriogênese somática), polinização controlada e testes de qualidade de madeira para seleção, resistência a pragas e a fatores bióticos diversos, entre outras” discorreu o diretor executivo da ACR.

O PCMP pode contar com participantes (pessoas físicas ou jurídicas) que tenham ou não, interesse em conservação de material genético, receber material genético desenvolvido, participar das seleções, cruzamentos ou instalar testes genéticos. Também podem participar do PCMP, instituições ou organizações identificadas como importantes para os esforços de pesquisa para o melhoramento genético (com infraestrutura, expertise em áreas como biotecnologia, estatística, tecnologia da madeira, entomologia, fitopatologia etc.).

 

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