Coronavírus muda rotina de importações de indústrias têxteis do Vale

O surto do coronavírus na China tem, além das óbvias implicações na saúde dos habitantes da nação mais populosa do mundo, reflexos também na economia do Vale. O gigante asiático é o principal parceiro comercial do Brasil, e na região não é diferente. No ano passado, por exemplo, 45% de todas as importações feitas de Blumenau vieram do mercado chinês. Em valores, foram US$ 184,41 milhões, alta de 7% frente a 2018.

Uma das indústrias que monitora a situação bem de perto é a têxtil. A China é fonte de matérias-primas essenciais para o setor, como fios. A crise, no entanto, brecou o escoamento a partir de portos chineses. Temendo a falta de mercadorias, empresas do ramo anteciparam compras.

— Muitas estão se prevenindo com estoques para até seis meses. Isso quebra o fluxo de suprimentos e custos — avalia o presidente do Sintex, José Altino Comper.

A corrida pela matéria-prima está gerando um desequilíbrio na lei de oferta e procura. Com menos fios disponíveis, o preço subiu. Comper fala, em alguns casos, de alta entre 5% e 10%. Ele acredita que, pelo menos num primeiro momento, as indústrias devem absorver esse custo. Mas não descarta que, se o cenário não melhorar, ele seja repassado para a ponta. Na prática, isso significaria produtos mais caros para o consumidor final.

– A China é um mastodonte. Se ela dá uma sacudida, o equilíbrio do comércio mundial é afetado – acrescenta Renato Valim, diretor-executivo do Sintex.

O cenário se repete nas indústrias metalúrgicas, metal-mecânicas e do material elétrico da região, representadas pelo Simmmeb. O presidente Dieter Pfuetzenreiter lembra que na área de componentes eletrônicos, 90% dos insumos vêm da China. Além da preocupação de falta dos produtos, ele também cita as incógnitas envolvendo a crise.

— A gente não tem informação exata vinda da China — comenta.

Por enquanto é praticamente impossível dimensionar os impactos financeiros do surto do coronavírus na região. O que se sabe é que a crise vai derrubar o crescimento chinês em 2020, o que terá consequências na economia global como um todo, inclusive no Brasil.

Por Pedro Machado20/02/2020 – 15h47.

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